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Gaby Amarantos caça machistas no sertão nordestino em comédia dramática “Serial Kelly”

Diretor René Guerra diz que filme revela o chamado Brasil profundo sem sua máscara amigável Gaby Amarantos está em "Serial Kelly"
Gaby Amarantos está em "Serial Kelly" Divulgação

NetBet Cassino:Isabella Fariada CNN

São Paulo
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Os habitantes do estado de Alagoas são conhecidos como os mais “intensos” do Nordeste. “Se olharmos bem o mapa do Brasil, o estado tem o formato que lembra um revólver”, brincou René Guerra, nascido no estado.“Existe essa piada que alagoano é bravo… A partir disso, então, comecei minha pesquisa rastreando alguns dos matadores da região”, completou o cineasta, diretor de “Serial Kelly”, que estreia nos cinemas nacionais nesta quinta-feira (24).O filme é seu primeiro longa, mas não a primeira versão dele. Segundo René, a pesquisa para o filme começou em 2010, quando ainda estava na faculdade. Ele foi até o sertão alagoano conhecer todas as figuras que habitavam aquela paisagem e pensou em fazer um filme mais violento, com mais gore (violência extrema), segundo ele. Porém, em uma segunda visita, o roteiro mudou e suscitou a seguinte pergunta: O que define um serial killer? O longa traz Gaby Amarantos, em sua estreia nas telonas, como Kelly, uma cantora de brega que ganha a vida cantando em diversos “inferninhos” do sertão. Quando não trabalha, porém, ela trata de se vingar de homens que lhe fizeram mal e do jeitinho dela; se alguém lhe deve dinheiro ou lhe desrespeita, é morto.Tais assassinatos chamam a atenção da delegada Fabíola (Paula Cohen) que começa a perseguir a cantora para tentar parar sua matança.O filme não julga Kelly, deixa o espectador decidir por ele mesmo se os motivos dos assassinatos são justificáveis, porém, deixa claro que, como mulher negra, Kelly tenta traçar seu caminho como pode.“Dá pra dizer que é um filme pró-feminista. Se trata de uma perseguição em um sertão do Nordeste totalmente absurdo. Acho que a gente pode rir de qualquer pessoa no filme, menos da Kelly”, disse o cineasta.O machismo, o racismo e a lgbtfobia são tratados no filme como os verdadeiros assassinos sociais que são. Em uma das primeiras cenas do filme, vemos uma mulher trans que foi assassinada, por exemplo. A delegada tenta avançar no caso, mas os policiais a desestimulam, dizendo que ela é somente uma prostituta, que todos ali devem focar seus esforços no assassinato que ocorreu mais cedo, o assassinato de um homem de bem.O “homem de bem”, no caso, não pagou uma grande quantia que devia a Kelly, que deu fim à dívida.Todos os assasinatos da cantora são bem construídos, com uma bela fotografia e atuação de Gaby impecável. É uma atriz muito expressiva que, por conta da experiência nos palcos com a música brega, conseguiu encarnar uma Kelly dona de si.“Eu não tive desafio algum sabendo que a Gaby tinha coragem e confiança em mim. Ela de diva, passou pra mim como uma das melhores atrizes com quem já trabalhei”, afirmou René.Gaby, claro, canta no longa diversas vezes. São tantos os números musicais que o filme poderia ser encaixado (também) no gênero de musical, além de drama, suspense e comédia. O próprio diretor não quer encaixar o filme em nenhuma caixinha, mas reconhece a veia cômica que existe na produção, a começar pelo título.“Um cineasta chegou para mim, eu ainda estava com o projeto do filme, e perguntou: ‘Por que você vai fazer um filme de comédia?’ Gente, comédia é subversão!”, diz.O filme expõe ao ridículo diversas situações que compõe o interior do Brasil: a presença maciça da música brega, cultos religiosos e a imprensa nacionalista. A única pessoa a chamar Kelly de “serial killer” é um apresentador de televisão ao entrevistar a delegada Fabiola que, rapidamente, repreende o jornalista: “Em terra de matadores, a mulher que mata vira serial killer”.“O Brasil profundo vai se revelando ao longo do filme”, diz René, “nosso país não é tão gentil quanto parece: é racista, homofóbico e machista”.Apesar de trazer questões políticas importantes ao tratar da situação social de minorias, o diretor não considera o filme “militante”, nesse sentido.“Eu respeito muito o cinema de denúncia, de urgência e de gênero, mas eu quero que esse filme chegue, com todas as suas camadas, ao público”, afirmou o cineasta.

“Serial Kelly” traz uma repaginada em um gênero já tão saturado em filmes e séries que lotam as plataformas de streaming. Na mesma entrevista, René revelou, por exemplo, que não conseguiu passar do primeiro episódio da série da Netflix sobre o serial killer Jeffrey Dahmer. Para ele, dramatizar assassinatos em uma ficção é bem diferente do que glorificar matadores reais. Humanizar o inumano, sem qualquer camada de complexidade, é pura tortura para quem assiste.

“A gente tem, por exemplo, vários pedidos de casamento para assassinos de mulheres aqui no Brasil enquanto estão presos”, diz, “essas pessoas precisam ser esquecidas”.
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